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Metamorfose

Entrevista com Giusepe Bagnariol
dezembro de 2004

O italiano Giuseppe Bagnariol trabalha como
médico há quase quarenta anos. No fim dos anos oitenta entra em contato com o Grupo de Estudo Oki Do - que se inspira na vida e ensinamentos do mestre japonês Masahiro Oki (1919-1985) - e acrescenta à sua experiência com a alopatia o estudo e a prática de disciplinas da medicina oriental como moxabustão, agopuntura e, principalmente, Meiso Shiatsu - técnica que combina shiatsu (massagem terapêutica tradicional) com respiração e meditação para promover uma condição de harmonia entre quem faz e quem recebe o tratamento. Com o Oki Do, Bagnariol realizou diversas atividades no Camboja, na Índia, no deserto do Saara e em Chernobil, na Ucrânia.

 
DNA de um virus de rã.

A Metamorfose é o processo de mudança da estrutura exterior, da forma com que uma vida se apresenta. Porém, de um ponto de vista poético, literário e mitológico, o termo foi empregado para significar a transformação do ser humano em sua evolução: como castigo, quando regride à condição animal, ou então quando esta mesma condição animal simboliza uma virtude, como a coragem do leão, a mentalidade afiada da águia ou a esperteza da serpente. São mitos que espelham uma busca do significado de evolução, pois a condição humana é um processo de transformação. Apenas quando o homem nasce, vive, aprende e transforma a si mesmo, começa um processo de evolução no campo do coração e do espírito, que corresponde a uma transformação no campo da biologia na esfera corpórea.

A palavra Metamorfose é derivada do livro ‘As Metamorfoses’, de Ovídio, e de outro livro famoso de Luciano. Apuleio também tratou do assunto ao escrever ‘O asno de ouro’, no qual fala de um ser humano que, buscando a si mesmo, passa a uma condição de burro.
‘A Divina Comédia’ trata também da passagem simbólica de uma condição bestial do homem que vive no pecado, portanto perdido numa selva, para uma condição humana através de três etapas: a auto-reflexão sobre as próprias faltas, que é o Inferno; a purificação e a ascenção, que é o Purgatório; e, finalmente, o conhecimento da verdade, que é o Paraíso. É uma viagem dentro de si mesmo, para trás, para sair e reencontrar a verdade. Por isto ‘A Divina Comédia’ tem este valor universal, porque é a viagem do homem para sair do erro e encontrar o Paraíso. Além disto, com uma sensibilidade poética e um conhecimento da cultura universal únicos até aquela época. Para Dante, porém, a verdade é revelada pelos dogmas da fé, e não o resultado de uma busca pessoal. A verdade é apenas uma abertura aos dogmas da fé e é uma verdade única, definitiva, a não ser criticada ou entendida, mas aceita passivamente. Dante era um homem do seu tempo.
A metamorfose do coração é uma passagem para se tornar humano que é indispensável para todo mundo. Portanto, quando você chega num país diferente, com habitos diferentes, a metamorfose é um percurso para sair da própria identidade habitual, de nossas fixações e hábitos, daquilo que é o lugar comum, a maneira de sentir unívoca, da visão limitada. Por isto, mudando de ambiente, clima, habitos, alimento, estilo de vida... Metamorfose é: sem perder a si mesmo, aceitar entrar neste clima, receber através dos poros da pele este tipo de sol, de alimento, de vida, e não trazer em bloco você mesmo, tal e qual transportado a outro lugar e com uma espécie de aura protetiva que mantém uma identidade fixa e bloqueada.
Isto comporta uma transformação física e do organismo também. Tudo o que é diferença tipológica entre o que chamamos de “raças”, são apenas adaptações, metamorfoses ambientais. Assim, se a cor da pele dele (para Júlio César) é um pouco mais escura do que a minha, não quer dizer que os antepassados meus eram brancos e os dele pretos. Na verdade, pode ser que os meus antepassdos de 20.000 ou 200.000 anos atrás eram cor de chocolate, mesmo, e os dele, brancos, pálidos. Depois os antepassados dele foram da Europa para a África e assim ficaram escuros. Em seguida passaram para o Brasil, talvez como escravos, ou de outra maneira, e encontraram mais um pouco de mistura. Metamorfose. Adaptação a uma situação climática diversa.

A adaptação da espécie é uma metamorfose à metade, devida apenas a fatores ambientais. Não é apenas uma questão genética. A genética do homem é quase idêntica em todos os lugares.
No genoma não é só determinante o caráter físico, mas sim a influência do exterior verso o interior. Ambiente, temperatura, umidade, tipo e qualidade de alimento determinam também o comparecimento de caracteres genéticos diferentes que são, portanto, absolutamente superficiais e exteriores. Profundamente o genoma humano é quase que uma identidade absoluta.
A metamorfose é esse processo de transformação do homem quando muda de ambiente. É através de gerações que muda a estrutura física, a fisionomia, o tipo de metabolismo, a cor da pele, a forma do rosto e do nariz. São apenas fenômenos de adaptação ambiental climática. Não podemos dizer que um cara que é negro tenha apenas antepassados negros. Podem ser vikings, e vice-versa.
Em climas extremos as mutações dos caracteres exteriores físicos são muito rápidas. Em climas intermediários são muito demoradas, porque a diferença de temperatura é pouca. Assim, as mutações podem ocorrer em 7 ou 70 ou 700 gerações, conforme quão forte é o estímulo externo.
Portanto caracteres humanos que são separados de maneira racista, preconceituosa, são apenas adaptações climáticas de algumas gerações. A essência não muda.

Sobre a doença
A mudança de pensamento afeta o organismo de maneira extrema, até determinar o aparecimento de quase todas as doenças. Uma das causas originais de todos os problemas de saúde é a maneira de pensar. Uma postura harmoniosa e uma maneira de mover, respirar e alimentar-se corretamente influencia positivamente a maneira de pensar. Corpo e mente harmonizam-se. Ao contrário, condição física artificial, postura, respiração e alimentação incorretas, a maneira de pensar também se transforma em incorreta. Não é apenas unilateral, o comportamento físico também influencia o pensamento, porque o ser humano é uma unidade indissolúvel: físico, coração-mente, espírito. Não há uma predominância, porém a parte mais profunda, secreta, misteriosa e menos conhecida é a dimensão espiritual. As dimensões da mente, do coração e do físico estão bastante na superfície. Entre o mundo físico e da materialidade, condição ‘animal’ do homem, e o mundo do espírito, condição original absoluta, há o coração: caráter humano essencial.

A cultura médica ocidental tende a utilizar de forma violenta a manipulação genética dos organismos vegetais. Híbridos, monstros que não existem na natureza. Estão juntando caracteres vegetais com caracteres animais. Já isto é um monstro, uma quimera. É um perigo, porque a natureza não aceita uma mudança rápida, pois não há adaptação. Porém este tipo de manipulação genética é feito por cálculo econômico. O interesse não é tanto produzir para que as pessoas não morram de fome, mas principalmente garantir a patente dos medicamentos e impôr a venda desta patente. O que acontece depois, na natureza, não interessa: uma natureza desnaturada, num espaço de tempo mínimo, com produção de monstros naturais por um cálculo egoístico... Dramático é que estão fazendo o mesmo com o genoma humano. Estão modificando geneticamente o genoma humano para consertar erros devidos não apenas ao genoma, mas também ao estilo de vida. Então o que acontece com este monstro humano com genoma manipulado? Não sabemos como a natureza pode aceitar, e a própria consciência do homem pode sentir-se numa condição que, após 4 bilhões de anos de adaptação gradual, improvisadamente é, de maneira forçada, violenta e não-natural, transformada numa outra condição.

Eu vi a metamorfose dos pinheiros investidos pelas radiações em Chernobil que produziram, ao invés de vértices de 3 pontas, vértices de 5 ou 6 pontas, portanto monstros que não existiam antes, por transformação genética do patrimônio devido à radiação. A queda radioativa de Chernobil produziu, em pouquíssimos anos, o aparecimento de mutantes, com a criação, por mutação genética, de espécies que não existiam. Este é um tipo de metamorfose. Na natureza acontece nos longos prazos, porque existem as radiações cósmicas que modificam as estruturas genéticas, pouco a pouco. Mas acontece em harmonia com todas as outras espécies. Por cada espécie que se transforma tem outra que muda, a mais adaptada sobrevive e mantém uma comunicação global com o meio-ambiente. Quando é criada uma espécie-monstro improvisadamente, esta cria um desequilíbrio que a natureza reabsorve imediatamente, ou eliminando-a, ou produzindo reações catastróficas. É uma violência concentrada num tempo minimo.
Isto é mutação extrema, violenta. Não é natural, seletiva, com um longo percurso. Numa só hora, num dia, num mês, cria-se uma condição de alteração do patrimônio genético. Isto apenas por calculo, por vantagem pessoal, para acobertar as faltas do proprio estilo de vida.
Ao invés de ensinar a modificar o próprio estilo de vida, em harmonia com a natureza, para voltar a uma condição de saúde, o patrimônio genético é modificado violentamente para obter artificialmente uma condição de falsa saúde, com consequências que não podemos imaginar.

A clonagem dos animais foi catastrófica. Aparentemente criava-se um replicante idêntico. Porém, como não havia mistura genética, portanto renovação da força vital de base, eram células praticamente moribundas. Os animais transgênicos morrem de velhice em poucos meses, porque originados de uma célula já condicionada a morrer. Apenas as células-tronco se perpetuam, desde que existe a vida, através da troca de genes. Uma célula permanente, da pele ou de outro órgão, pode ser auto-fecundada e gerar um embrião, mas este embrião nasce com a idade do pai ou da mãe de quem foi retirado.
As células-tronco são celulas que mantiveram a capacidade potencial de modificar-se, que mantiveram uma originalidade de potencialidades diversas. São células de conserto, presentes em todos os orgãos, com um caráter indiferenciado. Quando um grupo de células morre, uma estrutura entra em decadência. As células-tronco vêm e substituem estas celulas. Orientam a própria estrutura genética conforme a estrutura do orgão a ser reparado. Este é o mecanismo interno de conserto, porém se não há respeito pela vida este mecanismo não funciona.
A recuperação de orgãos danificados como o cérebro ainda é um mistério, e nem tanto a produção de células-tronco, mas a capacidade de utilizar os fragmentos residuais existentes com um potencial milhares de vezes não expresso, não manifestado. Esta abundância que há de riqueza do patrimônio que já temos, seja do cérebro ou de outros orgãos, é estimulada por uma lesão que reduz a parte utilizada anteriormente.
Mais do que uma regeneração orgânica, é o emprego de partes que não eram plenamente utilizadas, como um cego que desenvolve uma enorme sensibilidade ao tato, que porém já era potencial, sem criar um novo orgão. É o velho orgão que é estimulado a manifestar-se numa potencialidade que antes não havia. Isto pode ser feito conscientemente através de uma boa utilização do corpo, do coração e da mente. Ou então, aquilo que não é utilizado se atrofia. Se é um músculo vem paralisia, bloqueio, se é o cérebro vem demência, se for o coração vem egoísmo.

Estão tentando utilizar ao máximo o potencial químico do fármaco para produzir variações clamorosas, rápidas e cômodas. O conhecimento que o farmacêutico tem do metabolismo e do ecossistema interno é tão inferior a um verdadeiro conhecimento, que o medicamento é apenas uma imitação barata, violenta, que não dá o efeito desejado de reduzir um dano e criar harmonia. Apenas intervém para retirar um sintoma. Não estimula a capacidade de se auto-curar, esta sabedoria interna, velha como a história do Universo. O fármaco intervém bloqueando-a de maneira rápida.
Quando é extremamente necessário e indispensável, o fármaco realmente tem um efeito maravilhoso. Quando usado arbitrariamente, transforma completamente uma condição natural, gerando efeitos indesejados, tóxicos, negativos, incontroláveis, até o paradoxo de selecionar monstros que não existiam antes, como no campo da seleção bacteriana negativa operada pelos antibióticos.

O antibiótico, na origem, era uma substância natural capaz de bloquear o desenvolvimento das formas putrefativas bacterianas. Daí testaram inseri-lo no organismo e isto, inicialmente, foi a grande revolução da medicina, aquela que realmente produziu efeitos visíveis e definitivos de cura das doenças infecciosas.
A observação casual de que colônias de bactérias, em contato com o mofo do alimento apodrecido, não se desenvolviam, levou Flemming, em 1942, a criar o primeiro antibiótico, a penicilina. Conhecido há muito tempo, este mofo chamava-se penicillum notatum. Penicillum pois tinha a forma de um pincel, e notatum, pois tinha sido classificado, notado.
O antibiótico na origem foi utilizado para salvar vidas, principalmente nas infecções por feridas graves, ou nas epidemias como o cólera, o tifo e a peste. Foi empregado principalmente durante a Segunda Guerra, para sarar os ferimentos de guerra, e salvou milhões de pessoas destinadas a morrer de septicemia, infecção generalizada por bactérias.
Depois, aos poucos, o emprego cada vez mais indiscriminado e comercial dos antibióticos, aplicado em ampla escala na alimentação animal e na terapia de doenças insensíveis aos antibióticos, resultou numa rápida mutação de troncos de vida, pois as bactérias e os vírus são as bases fundamentais da vida. Nós somos apenas uma colonia de bactérias misteriosamente organizada, coordenada e que alcançou uma unidade e uma capacidade de acumulação de informação extremas.

O vírus é uma forma de vida primordial, a essência da vida, composto apenas de material nuclear, ácido nucléico, constituinte do patrimônio genético, que, por seu metabolismo, deve parasitar outra célula. Ao mesmo tempo foi ele quem proporcionou o agregar-se do DNA e do RNA em estruturas elaboradas, que reproduziram a si mesmas e se juntaram até chegar a um código tão perfeito, que permitiu a formação da vida humana.

A bactéria não tem uma estrutura como o núcleo. Os orgãos da reprodução, do controle do metabolismo e da sua vida, que são cromossômicos como os nossos, ao invés de estarem no núcleo, estão dispersos no líquido da célula. A bactéria já é capaz de alimentar-se e reproduzir-se sozinha, e encontra alimento onde a gente tem dejetos, daí torna-se virulenta. A nossa toxicidade é o terreno de cultura para as bactérias. Bactéria e micróbio são sinônimos. Micro-bios quer dizer vida miniaturizada, origem da vida. O micróbio pode ter forma de colar, de caicho - o da meningite, por exemplo, tem a forma de um grão de café. A bactéria tem forma de bastão - bactérium quer dizer bastão.

A agregação de milhões de virus permitiu que a bactéria tenha aprendido a criar a si mesma, com a divisão da membrana externa e a separação do material genético no citoplasma, em duas entidades identicas à progenitora.
Portanto, podemos dizer que as bactérias são as únicas estruturas vivas que nunca morreram, enquanto o organismo humano tem trilhões de células que morrem, que deixam esta vida, além de alguns bilhões de células, das quais pouquíssimas chegam a fecundar, que mantêm a eterna juventude passando de uma vida para outra. O nosso conteúdo de imortalidade biológica, de vida que continua há 4 bilhões de anos, são as células da reprodução, enquanto todo o resto do organismo morre com a gente. A única coisa que sobrevive, quando fazemos um filho, é a passagem destas células, que se organizam em seguida nas outras gerações na forma de celulas-tronco ou reprodutivas. Este caráter é idêntico ao das bactérias, que reproduzem-se ao infinito. Bom, elas também morrem, quando alcançam um limite de capacidade de nutrição, pois quem não se alimenta não se reproduz. Diferentemente haveria uma camada de bactérias de alguns quilômetros sobre a superfície da Terra. Porém são células eternamente jovens. Se encontrarem o alimento correto, reproduzem-se infinitamente.

Um farmacólogo que mora nos EUA publicou recentemente um artigo para declarar que a guerra dos antibióticos (que quer dizer substâncias anti-bios, ou seja, contra a vida) contra os bactérios, é uma guerra perdida, porque a força da vida, que é a força da adaptação das bases da vida que são os microbios, é mais rápida a adaptar-se aos antibióticos do que a velocidade com a qual são produzidos novos antibióticos. Grandes novidades na indústria dos antibióticos não saem há 15 ou 20 anos. A força vital é extrema nos micróbios, sua história é velha como a história da terra. Quando a terra era inóspita para qualquer organismo complexo, há 4,5 bilhões de anos, numa atmosféra de enxofre, de vapores, de ácidos, de metano, de gases tóxicos, de amoníaca, os micróbios já tinham desenvolvido um sistema para utilizar estas substâncias. Em seguida seu catabolismo, seu dejeto, que é o oxigênio, em alguns bilhões de anos modificou a atmosfera da terra, tornando possível a vida aos organismos que se nutrem de oxigênio, que foram outros micróbios, os aeróbicos, que são uma mutação dos primeiros micróbios, anaeróbicos, ou consumidores de metano e amoníaca. Eles que transformaram a base, o respirar deste planeta feito de erupções de vulcões.

A vida tem um potencial extremo mesmo num organismo simples como uma bactéria. Sua riqueza cromossômica e genética é tal que, a cada mil que morrem por efeito dos antibióticos, uma que sobrevive é capaz de reproduzir sua resistência e de comunicá-la a outras populações de bactérias, mesmo sem troca de patrimônio genético, mas por meio de orgânulos, mensagens com informações difundidas no ambiente que são captadas por outros micro-organismos que, mesmo não tendo esta capacidade genética de resistência, aprendem-na por meio desta informação enviada por outro microorganismo. Estes orgânulos são plasmídeos, proteínas com um pequeno código que serve apenas para ensinar a outro como defender-se de um antibiótico. Este código é um pequeno gene excretado no ambiente como mecanismo de comunicação entre uma vida e outra. É uma boa manifestação de como a vida é rica, abundante e generosa. A natureza “pensa” no futuro.
Há milhares de antibióticos naturais, principalmente sob a forma de plantas. Por exemplo, recentemente descobriram que as sementes do grapefruit são o melhor antibiótico natural, capaz de sarar de quase todas as cepas de bactérias. Um líquido com substâncias orgânicas dentro nunca apodrece se você colocar algumas sementes de grapefruit. Mas como o homem está gerando frutos sem sementes, estamos perdendo esta capacidade de sarar as infecções.

Já há o perigo extremo de termos criado artificialmente uma população de micróbios resistente a todos os antibióticos conhecidos e imaginados. Como houve uma ação violenta, alguns desses micróbios tornaram-se também agressivos, pois estão defendendo a base da vida do assalto químico. De qualquer forma a vida está prevalecendo. Como preservação da vida futura o homem pode até se auto-destruir com o emprego destas substâncias químicas, porém a natureza prepara já uma nova vida resistente a este tipo de poluição.
Quando o homem destrói a si mesmo, não respeitando-se, esta base fundamental da vida que são os micro-organismos transformam-se para garantir o futuro de outra humanidade, daqui a alguns milhões ou bilhões de anos. Mesmo se desaparece a espécie humana da Terra, vírus e bactérias sobrevivem, e preparam as bases para uma nova vida... esperamos mais inteligente!

Os antibióticos agem no nosso organismo de duas formas. Primeiro, através de um mecanismo de bloqueio da membrana celular. Sem matar o micróbio, bloqueiam sua reprodução e consentem às defesas imunitárias de destruí-lo. Segundo, abrindo a membrana celular, fazendo sair seu conteúdo e, portanto, matando a célula bacteriana. As duas, portanto, agem sobre a membrana bacteriana.
Uma substância capaz de bloquear processos enzimáticos da membrana, bloqueia também os processos das células nobres do organismo, principalmente do intestino, do figado e dos rins. Aí temos disenteria causada por antibióticos, a língua afetada por antibióticos, porque o medicamento mata também as células de superfície, que não são tão diferentes da bactéria. O antibiótico mata indiscriminadamente as colônias de bactérias úteis, pois a gente vive graças à existência de milhares e milhares de bactérias, temos talvez uns dois quilos no organismo, que produzem, entre outras coisas, as vitaminas que nos faltam Todo antibiótico utilizado prolongadamente resulta em carência vitamínica e num empobrecimento das defesas imunitárias do organismo. Existem outros antibióticos que agem sobre o patrimônio genético e cromatínico, são os quimioterápicos, extremamente tóxicos.
A alternativa aos antibióticos é meditar, reforçar o sistema defensivo e melhorar a situação de base pela qual o homem adoece. Não cair na doença. Não pecar. Por isto Jesus, quando sarava alguém, dizia ‘não peque mais’. Pecado é a maneira incorreta de se comportar perante a própria condição física de saúde.

Ver vírus e bactérias apenas como inimigos indesejados é uma maneira muito parcial, limitada e egoísta de ver as coisas. Realmente pouco científica. Sem vírus e bactérias não há vida humana. Se a gente vive mal, estes vêm nos digerir. Se a gente vive de maneira não-natural, este é um processo de transformação em direção a uma forma de energia livre para que se crie uma nova vida. Portanto, é responsabilidade do homem manter o respeito de si mesmo. Os micro-organismos vem apenas ‘fazer a limpeza’ quando você é podre.
Porque pegamos gripe? Porque comemos, pensamos, vivemos, dormimos de forma errada. É um mecanismo de depuração, de eliminação de toxinas, como o das formigas, minhocas e vermes que digerem os cadáveres.
Somos quase por 3/4 cadáveres que andam. Temos uma abundante reserva de carne podre para vírus e bactérias, por isso adoecemos. Se fôssemos mais limpos, não teríamos quase nunca ataques desse tipo. A natureza nos respeita se respeitamos a nós mesmos. Esta visão é oposta à que pensa apenas em dar a culpa ao externo, ao vírus, aos antepassados, ao ambiente, a todo o resto. Com esta visão calculada, egoista, utilitarista e unilateral, a medicina está num beco sem saída.
Esta atitude da medicina ocidental acontece principalmente a partir do final do 1700 e principalmente no começo de 1900, quando a medicina tornou-se mecanicista positivista, coligada aos interesses da indústria farmacêutica. Os médicos, pouco a pouco, perderam de vista os remédios naturais e a manutenção de um organismo saudável por meio de uma prática pessoal. Escolheram apenas a via cômoda do fármaco.
A maioria dos médicos não tem mais a capacidade de olhar através da vida do paciente, mas apenas através dos exames do sangue e dos sintoma externos, e assim entendem apenas a última passagem, não vêem o que há por trás. A diagnose clínica é ótima porque especifica, num âmbito final, os últimos mecanismos da causa-efeito. Mas há uma concatenação de causas e efeitos que parte da profundidade da vida do homem.
Com isto não quero dizer ‘a medicina não é boa’, ‘o fármaco não é bom’. Se bem empregada, a tecnologia diagnóstica e os farmacos são um aliado poderoso. Se utilizados com agradecimento e respeito, se for feito um emprego racional são um aliado do homem. Porém o médico deveria informar sobre este emprego, e não desinformar ou induzir à utilização de fármacos inúteis ou nocivos, cada vez mais caros e usados para resolver problemas que não têm origem bacteriana, como acontece muitas vezes na pediatria. Utilização indiscriminada do antibiótico, já que a criança não entende, não pode se queixar, não diz nada, a mamãe é contente e assim não muda de pediatra. E isto ainda é o caso menos grave... às vezes são prescritos psicofármacos às crianças apenas porque incomodam o sono das mães.
Antes de fazer um diagnóstico, o médico já sabe que 90 % das doenças infantis se devem a um vírus, e emprega indiscriminadamente o antibiótico, que atua apenas sobre as bactérias. Assim é feita a seleção de micróbios que antes eram superáveis com uma dose de penicillina, e agora nenhum fármaco os pára.
O medico deveria ter a coragem de dizer à mãe: ‘não seja egoísta’, ‘tente entender a mensagem: por que a criança está doente?’. Qual pediatra tem esta coragem? Perde o freguês, não? Porém assim respeita a criança...

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