A Metamorfose
é o processo de mudança da estrutura exterior, da forma
com que uma vida se apresenta. Porém, de um ponto de vista poético,
literário e mitológico, o termo foi empregado para significar
a transformação do ser humano em sua evolução:
como castigo, quando regride à condição animal, ou
então quando esta mesma condição animal simboliza
uma virtude, como a coragem do leão, a mentalidade afiada da águia
ou a esperteza da serpente. São mitos que espelham uma busca do
significado de evolução, pois a condição humana
é um processo de transformação. Apenas quando o homem
nasce, vive, aprende e transforma a si mesmo, começa um processo
de evolução no campo do coração e do espírito,
que corresponde a uma transformação no campo da biologia
na esfera corpórea.
A palavra
Metamorfose é derivada do livro ‘As Metamorfoses’,
de Ovídio, e de outro livro famoso de Luciano. Apuleio também
tratou do assunto ao escrever ‘O asno de ouro’, no qual fala
de um ser humano que, buscando a si mesmo, passa a uma condição
de burro.
‘A Divina Comédia’ trata também da passagem
simbólica de uma condição bestial do homem que vive
no pecado, portanto perdido numa selva, para uma condição
humana através de três etapas: a auto-reflexão sobre
as próprias faltas, que é o Inferno; a purificação
e a ascenção, que é o Purgatório; e, finalmente,
o conhecimento da verdade, que é o Paraíso. É uma
viagem dentro de si mesmo, para trás, para sair e reencontrar a
verdade. Por isto ‘A Divina Comédia’ tem este valor
universal, porque é a viagem do homem para sair do erro e encontrar
o Paraíso. Além disto, com uma sensibilidade poética
e um conhecimento da cultura universal únicos até aquela
época. Para Dante, porém, a verdade é revelada pelos
dogmas da fé, e não o resultado de uma busca pessoal. A
verdade é apenas uma abertura aos dogmas da fé e é
uma verdade única, definitiva, a não ser criticada ou entendida,
mas aceita passivamente. Dante era um homem do seu tempo.
A metamorfose do coração é uma passagem para se tornar
humano que é indispensável para todo mundo. Portanto, quando
você chega num país diferente, com habitos diferentes, a
metamorfose é um percurso para sair da própria identidade
habitual, de nossas fixações e hábitos, daquilo que
é o lugar comum, a maneira de sentir unívoca, da visão
limitada. Por isto, mudando de ambiente, clima, habitos, alimento, estilo
de vida... Metamorfose é: sem perder a si mesmo, aceitar entrar
neste clima, receber através dos poros da pele este tipo de sol,
de alimento, de vida, e não trazer em bloco você mesmo, tal
e qual transportado a outro lugar e com uma espécie de aura protetiva
que mantém uma identidade fixa e bloqueada.
Isto comporta uma transformação física e do organismo
também. Tudo o que é diferença tipológica
entre o que chamamos de “raças”, são apenas
adaptações, metamorfoses ambientais. Assim, se a cor da
pele dele (para Júlio César) é um pouco mais escura
do que a minha, não quer dizer que os antepassados meus eram brancos
e os dele pretos. Na verdade, pode ser que os meus antepassdos de 20.000
ou 200.000 anos atrás eram cor de chocolate, mesmo, e os dele,
brancos, pálidos. Depois os antepassados dele foram da Europa para
a África e assim ficaram escuros. Em seguida passaram para o Brasil,
talvez como escravos, ou de outra maneira, e encontraram mais um pouco
de mistura. Metamorfose. Adaptação a uma situação
climática diversa.
A adaptação
da espécie é uma metamorfose à metade, devida apenas
a fatores ambientais. Não é apenas uma questão genética.
A genética do homem é quase idêntica em todos os lugares.
No genoma não é só determinante o caráter
físico, mas sim a influência do exterior verso o interior.
Ambiente, temperatura, umidade, tipo e qualidade de alimento determinam
também o comparecimento de caracteres genéticos diferentes
que são, portanto, absolutamente superficiais e exteriores. Profundamente
o genoma humano é quase que uma identidade absoluta.
A metamorfose é esse processo de transformação do
homem quando muda de ambiente. É através de gerações
que muda a estrutura física, a fisionomia, o tipo de metabolismo,
a cor da pele, a forma do rosto e do nariz. São apenas fenômenos
de adaptação ambiental climática. Não podemos
dizer que um cara que é negro tenha apenas antepassados negros.
Podem ser vikings, e vice-versa.
Em climas extremos as mutações dos caracteres exteriores
físicos são muito rápidas. Em climas intermediários
são muito demoradas, porque a diferença de temperatura é
pouca. Assim, as mutações podem ocorrer em 7 ou 70 ou 700
gerações, conforme quão forte é o estímulo
externo.
Portanto caracteres humanos que são separados de maneira racista,
preconceituosa, são apenas adaptações climáticas
de algumas gerações. A essência não muda.
Sobre
a doença
A mudança de pensamento afeta o organismo de maneira extrema, até
determinar o aparecimento de quase todas as doenças. Uma das causas
originais de todos os problemas de saúde é a maneira de
pensar. Uma postura harmoniosa e uma maneira de mover, respirar e alimentar-se
corretamente influencia positivamente a maneira de pensar. Corpo e mente
harmonizam-se. Ao contrário, condição física
artificial, postura, respiração e alimentação
incorretas, a maneira de pensar também se transforma em incorreta.
Não é apenas unilateral, o comportamento físico também
influencia o pensamento, porque o ser humano é uma unidade indissolúvel:
físico, coração-mente, espírito. Não
há uma predominância, porém a parte mais profunda,
secreta, misteriosa e menos conhecida é a dimensão espiritual.
As dimensões da mente, do coração e do físico
estão bastante na superfície. Entre o mundo físico
e da materialidade, condição ‘animal’ do homem,
e o mundo do espírito, condição original absoluta,
há o coração: caráter humano essencial.
A cultura
médica ocidental tende a utilizar de forma violenta a manipulação
genética dos organismos vegetais. Híbridos, monstros que
não existem na natureza. Estão juntando caracteres vegetais
com caracteres animais. Já isto é um monstro, uma quimera.
É um perigo, porque a natureza não aceita uma mudança
rápida, pois não há adaptação. Porém
este tipo de manipulação genética é feito
por cálculo econômico. O interesse não é tanto
produzir para que as pessoas não morram de fome, mas principalmente
garantir a patente dos medicamentos e impôr a venda desta patente.
O que acontece depois, na natureza, não interessa: uma natureza
desnaturada, num espaço de tempo mínimo, com produção
de monstros naturais por um cálculo egoístico... Dramático
é que estão fazendo o mesmo com o genoma humano. Estão
modificando geneticamente o genoma humano para consertar erros devidos
não apenas ao genoma, mas também ao estilo de vida. Então
o que acontece com este monstro humano com genoma manipulado? Não
sabemos como a natureza pode aceitar, e a própria consciência
do homem pode sentir-se numa condição que, após 4
bilhões de anos de adaptação gradual, improvisadamente
é, de maneira forçada, violenta e não-natural, transformada
numa outra condição.
Eu vi a metamorfose
dos pinheiros investidos pelas radiações em Chernobil que
produziram, ao invés de vértices de 3 pontas, vértices
de 5 ou 6 pontas, portanto monstros que não existiam antes, por
transformação genética do patrimônio devido
à radiação. A queda radioativa de Chernobil produziu,
em pouquíssimos anos, o aparecimento de mutantes, com a criação,
por mutação genética, de espécies que não
existiam. Este é um tipo de metamorfose. Na natureza acontece nos
longos prazos, porque existem as radiações cósmicas
que modificam as estruturas genéticas, pouco a pouco. Mas acontece
em harmonia com todas as outras espécies. Por cada espécie
que se transforma tem outra que muda, a mais adaptada sobrevive e mantém
uma comunicação global com o meio-ambiente. Quando é
criada uma espécie-monstro improvisadamente, esta cria um desequilíbrio
que a natureza reabsorve imediatamente, ou eliminando-a, ou produzindo
reações catastróficas. É uma violência
concentrada num tempo minimo.
Isto é mutação extrema, violenta. Não é
natural, seletiva, com um longo percurso. Numa só hora, num dia,
num mês, cria-se uma condição de alteração
do patrimônio genético. Isto apenas por calculo, por vantagem
pessoal, para acobertar as faltas do proprio estilo de vida.
Ao invés de ensinar a modificar o próprio estilo de vida,
em harmonia com a natureza, para voltar a uma condição de
saúde, o patrimônio genético é modificado violentamente
para obter artificialmente uma condição de falsa saúde,
com consequências que não podemos imaginar.
A clonagem
dos animais foi catastrófica. Aparentemente criava-se um replicante
idêntico. Porém, como não havia mistura genética,
portanto renovação da força vital de base, eram células
praticamente moribundas. Os animais transgênicos morrem de velhice
em poucos meses, porque originados de uma célula já condicionada
a morrer. Apenas as células-tronco se perpetuam, desde que existe
a vida, através da troca de genes. Uma célula permanente,
da pele ou de outro órgão, pode ser auto-fecundada e gerar
um embrião, mas este embrião nasce com a idade do pai ou
da mãe de quem foi retirado.
As células-tronco são celulas que mantiveram a capacidade
potencial de modificar-se, que mantiveram uma originalidade de potencialidades
diversas. São células de conserto, presentes em todos os
orgãos, com um caráter indiferenciado. Quando um grupo de
células morre, uma estrutura entra em decadência. As células-tronco
vêm e substituem estas celulas. Orientam a própria estrutura
genética conforme a estrutura do orgão a ser reparado. Este
é o mecanismo interno de conserto, porém se não há
respeito pela vida este mecanismo não funciona.
A recuperação de orgãos danificados como o cérebro
ainda é um mistério, e nem tanto a produção
de células-tronco, mas a capacidade de utilizar os fragmentos residuais
existentes com um potencial milhares de vezes não expresso, não
manifestado. Esta abundância que há de riqueza do patrimônio
que já temos, seja do cérebro ou de outros orgãos,
é estimulada por uma lesão que reduz a parte utilizada anteriormente.
Mais do que uma regeneração orgânica, é o emprego
de partes que não eram plenamente utilizadas, como um cego que
desenvolve uma enorme sensibilidade ao tato, que porém já
era potencial, sem criar um novo orgão. É o velho orgão
que é estimulado a manifestar-se numa potencialidade que antes
não havia. Isto pode ser feito conscientemente através de
uma boa utilização do corpo, do coração e
da mente. Ou então, aquilo que não é utilizado se
atrofia. Se é um músculo vem paralisia, bloqueio, se é
o cérebro vem demência, se for o coração vem
egoísmo.
Estão
tentando utilizar ao máximo o potencial químico do fármaco
para produzir variações clamorosas, rápidas e cômodas.
O conhecimento que o farmacêutico tem do metabolismo e do ecossistema
interno é tão inferior a um verdadeiro conhecimento, que
o medicamento é apenas uma imitação barata, violenta,
que não dá o efeito desejado de reduzir um dano e criar
harmonia. Apenas intervém para retirar um sintoma. Não estimula
a capacidade de se auto-curar, esta sabedoria interna, velha como a história
do Universo. O fármaco intervém bloqueando-a de maneira
rápida.
Quando é extremamente necessário e indispensável,
o fármaco realmente tem um efeito maravilhoso. Quando usado arbitrariamente,
transforma completamente uma condição natural, gerando efeitos
indesejados, tóxicos, negativos, incontroláveis, até
o paradoxo de selecionar monstros que não existiam antes, como
no campo da seleção bacteriana negativa operada pelos antibióticos.
O antibiótico,
na origem, era uma substância natural capaz de bloquear o desenvolvimento
das formas putrefativas bacterianas. Daí testaram inseri-lo no
organismo e isto, inicialmente, foi a grande revolução da
medicina, aquela que realmente produziu efeitos visíveis e definitivos
de cura das doenças infecciosas.
A observação casual de que colônias de bactérias,
em contato com o mofo do alimento apodrecido, não se desenvolviam,
levou Flemming, em 1942, a criar o primeiro antibiótico, a penicilina.
Conhecido há muito tempo, este mofo chamava-se penicillum notatum.
Penicillum pois tinha a forma de um pincel, e notatum, pois tinha sido
classificado, notado.
O antibiótico na origem foi utilizado para salvar vidas, principalmente
nas infecções por feridas graves, ou nas epidemias como
o cólera, o tifo e a peste. Foi empregado principalmente durante
a Segunda Guerra, para sarar os ferimentos de guerra, e salvou milhões
de pessoas destinadas a morrer de septicemia, infecção generalizada
por bactérias.
Depois, aos poucos, o emprego cada vez mais indiscriminado e comercial
dos antibióticos, aplicado em ampla escala na alimentação
animal e na terapia de doenças insensíveis aos antibióticos,
resultou numa rápida mutação de troncos de vida,
pois as bactérias e os vírus são as bases fundamentais
da vida. Nós somos apenas uma colonia de bactérias misteriosamente
organizada, coordenada e que alcançou uma unidade e uma capacidade
de acumulação de informação extremas.
O vírus
é uma forma de vida primordial, a essência da vida, composto
apenas de material nuclear, ácido nucléico, constituinte
do patrimônio genético, que, por seu metabolismo, deve parasitar
outra célula. Ao mesmo tempo foi ele quem proporcionou o agregar-se
do DNA e do RNA em estruturas elaboradas, que reproduziram a si mesmas
e se juntaram até chegar a um código tão perfeito,
que permitiu a formação da vida humana.
A bactéria
não tem uma estrutura como o núcleo. Os orgãos da
reprodução, do controle do metabolismo e da sua vida, que
são cromossômicos como os nossos, ao invés de estarem
no núcleo, estão dispersos no líquido da célula.
A bactéria já é capaz de alimentar-se e reproduzir-se
sozinha, e encontra alimento onde a gente tem dejetos, daí torna-se
virulenta. A nossa toxicidade é o terreno de cultura para as bactérias.
Bactéria e micróbio são sinônimos. Micro-bios
quer dizer vida miniaturizada, origem da vida. O micróbio pode
ter forma de colar, de caicho - o da meningite, por exemplo, tem a forma
de um grão de café. A bactéria tem forma de bastão
- bactérium quer dizer bastão.
A agregação
de milhões de virus permitiu que a bactéria tenha aprendido
a criar a si mesma, com a divisão da membrana externa e a separação
do material genético no citoplasma, em duas entidades identicas
à progenitora.
Portanto, podemos dizer que as bactérias são as únicas
estruturas vivas que nunca morreram, enquanto o organismo humano tem trilhões
de células que morrem, que deixam esta vida, além de alguns
bilhões de células, das quais pouquíssimas chegam
a fecundar, que mantêm a eterna juventude passando de uma vida para
outra. O nosso conteúdo de imortalidade biológica, de vida
que continua há 4 bilhões de anos, são as células
da reprodução, enquanto todo o resto do organismo morre
com a gente. A única coisa que sobrevive, quando fazemos um filho,
é a passagem destas células, que se organizam em seguida
nas outras gerações na forma de celulas-tronco ou reprodutivas.
Este caráter é idêntico ao das bactérias, que
reproduzem-se ao infinito. Bom, elas também morrem, quando alcançam
um limite de capacidade de nutrição, pois quem não
se alimenta não se reproduz. Diferentemente haveria uma camada
de bactérias de alguns quilômetros sobre a superfície
da Terra. Porém são células eternamente jovens. Se
encontrarem o alimento correto, reproduzem-se infinitamente.
Um farmacólogo
que mora nos EUA publicou recentemente um artigo para declarar que a guerra
dos antibióticos (que quer dizer substâncias anti-bios, ou
seja, contra a vida) contra os bactérios, é uma guerra perdida,
porque a força da vida, que é a força da adaptação
das bases da vida que são os microbios, é mais rápida
a adaptar-se aos antibióticos do que a velocidade com a qual são
produzidos novos antibióticos. Grandes novidades na indústria
dos antibióticos não saem há 15 ou 20 anos. A força
vital é extrema nos micróbios, sua história é
velha como a história da terra. Quando a terra era inóspita
para qualquer organismo complexo, há 4,5 bilhões de anos,
numa atmosféra de enxofre, de vapores, de ácidos, de metano,
de gases tóxicos, de amoníaca, os micróbios já
tinham desenvolvido um sistema para utilizar estas substâncias.
Em seguida seu catabolismo, seu dejeto, que é o oxigênio,
em alguns bilhões de anos modificou a atmosfera da terra, tornando
possível a vida aos organismos que se nutrem de oxigênio,
que foram outros micróbios, os aeróbicos, que são
uma mutação dos primeiros micróbios, anaeróbicos,
ou consumidores de metano e amoníaca. Eles que transformaram a
base, o respirar deste planeta feito de erupções de vulcões.
A vida tem
um potencial extremo mesmo num organismo simples como uma bactéria.
Sua riqueza cromossômica e genética é tal que, a cada
mil que morrem por efeito dos antibióticos, uma que sobrevive é
capaz de reproduzir sua resistência e de comunicá-la a outras
populações de bactérias, mesmo sem troca de patrimônio
genético, mas por meio de orgânulos, mensagens com informações
difundidas no ambiente que são captadas por outros micro-organismos
que, mesmo não tendo esta capacidade genética de resistência,
aprendem-na por meio desta informação enviada por outro
microorganismo. Estes orgânulos são plasmídeos, proteínas
com um pequeno código que serve apenas para ensinar a outro como
defender-se de um antibiótico. Este código é um pequeno
gene excretado no ambiente como mecanismo de comunicação
entre uma vida e outra. É uma boa manifestação de
como a vida é rica, abundante e generosa. A natureza “pensa”
no futuro.
Há milhares de antibióticos naturais, principalmente sob
a forma de plantas. Por exemplo, recentemente descobriram que as sementes
do grapefruit são o melhor antibiótico natural, capaz de
sarar de quase todas as cepas de bactérias. Um líquido com
substâncias orgânicas dentro nunca apodrece se você
colocar algumas sementes de grapefruit. Mas como o homem está gerando
frutos sem sementes, estamos perdendo esta capacidade de sarar as infecções.
Já
há o perigo extremo de termos criado artificialmente uma população
de micróbios resistente a todos os antibióticos conhecidos
e imaginados. Como houve uma ação violenta, alguns desses
micróbios tornaram-se também agressivos, pois estão
defendendo a base da vida do assalto químico. De qualquer forma
a vida está prevalecendo. Como preservação da vida
futura o homem pode até se auto-destruir com o emprego destas substâncias
químicas, porém a natureza prepara já uma nova vida
resistente a este tipo de poluição.
Quando o homem destrói a si mesmo, não respeitando-se, esta
base fundamental da vida que são os micro-organismos transformam-se
para garantir o futuro de outra humanidade, daqui a alguns milhões
ou bilhões de anos. Mesmo se desaparece a espécie humana
da Terra, vírus e bactérias sobrevivem, e preparam as bases
para uma nova vida... esperamos mais inteligente!
Os antibióticos
agem no nosso organismo de duas formas. Primeiro, através de um
mecanismo de bloqueio da membrana celular. Sem matar o micróbio,
bloqueiam sua reprodução e consentem às defesas imunitárias
de destruí-lo. Segundo, abrindo a membrana celular, fazendo sair
seu conteúdo e, portanto, matando a célula bacteriana. As
duas, portanto, agem sobre a membrana bacteriana.
Uma substância capaz de bloquear processos enzimáticos da
membrana, bloqueia também os processos das células nobres
do organismo, principalmente do intestino, do figado e dos rins. Aí
temos disenteria causada por antibióticos, a língua afetada
por antibióticos, porque o medicamento mata também as células
de superfície, que não são tão diferentes
da bactéria. O antibiótico mata indiscriminadamente as colônias
de bactérias úteis, pois a gente vive graças à
existência de milhares e milhares de bactérias, temos talvez
uns dois quilos no organismo, que produzem, entre outras coisas, as vitaminas
que nos faltam Todo antibiótico utilizado prolongadamente resulta
em carência vitamínica e num empobrecimento das defesas imunitárias
do organismo. Existem outros antibióticos que agem sobre o patrimônio
genético e cromatínico, são os quimioterápicos,
extremamente tóxicos.
A alternativa aos antibióticos é meditar, reforçar
o sistema defensivo e melhorar a situação de base pela qual
o homem adoece. Não cair na doença. Não pecar. Por
isto Jesus, quando sarava alguém, dizia ‘não peque
mais’. Pecado é a maneira incorreta de se comportar perante
a própria condição física de saúde.
Ver vírus
e bactérias apenas como inimigos indesejados é uma maneira
muito parcial, limitada e egoísta de ver as coisas. Realmente pouco
científica. Sem vírus e bactérias não há
vida humana. Se a gente vive mal, estes vêm nos digerir. Se a gente
vive de maneira não-natural, este é um processo de transformação
em direção a uma forma de energia livre para que se crie
uma nova vida. Portanto, é responsabilidade do homem manter o respeito
de si mesmo. Os micro-organismos vem apenas ‘fazer a limpeza’
quando você é podre.
Porque pegamos gripe? Porque comemos, pensamos, vivemos, dormimos de forma
errada. É um mecanismo de depuração, de eliminação
de toxinas, como o das formigas, minhocas e vermes que digerem os cadáveres.
Somos quase por 3/4 cadáveres que andam. Temos uma abundante reserva
de carne podre para vírus e bactérias, por isso adoecemos.
Se fôssemos mais limpos, não teríamos quase nunca
ataques desse tipo. A natureza nos respeita se respeitamos a nós
mesmos. Esta visão é oposta à que pensa apenas em
dar a culpa ao externo, ao vírus, aos antepassados, ao ambiente,
a todo o resto. Com esta visão calculada, egoista, utilitarista
e unilateral, a medicina está num beco sem saída.
Esta atitude da medicina ocidental acontece principalmente a partir do
final do 1700 e principalmente no começo de 1900, quando a medicina
tornou-se mecanicista positivista, coligada aos interesses da indústria
farmacêutica. Os médicos, pouco a pouco, perderam de vista
os remédios naturais e a manutenção de um organismo
saudável por meio de uma prática pessoal. Escolheram apenas
a via cômoda do fármaco.
A maioria dos médicos não tem mais a capacidade de olhar
através da vida do paciente, mas apenas através dos exames
do sangue e dos sintoma externos, e assim entendem apenas a última
passagem, não vêem o que há por trás. A diagnose
clínica é ótima porque especifica, num âmbito
final, os últimos mecanismos da causa-efeito. Mas há uma
concatenação de causas e efeitos que parte da profundidade
da vida do homem.
Com isto não quero dizer ‘a medicina não é
boa’, ‘o fármaco não é bom’. Se
bem empregada, a tecnologia diagnóstica e os farmacos são
um aliado poderoso. Se utilizados com agradecimento e respeito, se for
feito um emprego racional são um aliado do homem. Porém
o médico deveria informar sobre este emprego, e não desinformar
ou induzir à utilização de fármacos inúteis
ou nocivos, cada vez mais caros e usados para resolver problemas que não
têm origem bacteriana, como acontece muitas vezes na pediatria.
Utilização indiscriminada do antibiótico, já
que a criança não entende, não pode se queixar, não
diz nada, a mamãe é contente e assim não muda de
pediatra. E isto ainda é o caso menos grave... às vezes
são prescritos psicofármacos às crianças apenas
porque incomodam o sono das mães.
Antes de fazer um diagnóstico, o médico já sabe que
90 % das doenças infantis se devem a um vírus, e emprega
indiscriminadamente o antibiótico, que atua apenas sobre as bactérias.
Assim é feita a seleção de micróbios que antes
eram superáveis com uma dose de penicillina, e agora nenhum fármaco
os pára.
O medico deveria ter a coragem de dizer à mãe: ‘não
seja egoísta’, ‘tente entender a mensagem: por que
a criança está doente?’. Qual pediatra tem esta coragem?
Perde o freguês, não? Porém assim respeita a criança... |